21 de Setembro de 2011

Nuno Crato está a desenvolver um bom trabalho, o que o diz é que entrando em funções em Julho conseguiu colocar o inicio do ano sem grande sobressalto, não tem havido grandes casos e os cortes a que a educação foi sujeita não parecem perturbar o ano, mas disto falaremos ao longo do ano.

 

Outra notícia importante é a manutenção do valor orçamento para a Ação Social Escolar no Ensino Superior. Também me parece que as alterações sugeridas vão de encontro ao desejo dos estudantes e beneficiam aqueles que mais precisam. Esperemos que a atribuição decorra rapidamente, pois é muito complicado para os estudantes manterem os estudos enquanto esperam até Dezembro para obterem resultados, tal como aconteceu nos últimos anos.

publicado por Luís Caldas às 21:05

24 de Fevereiro de 2008
A Universidade do Minho é uma das Universidades de vanguarda do País, é a par da Universidade de Aveiro, uma das melhores do país em termos de investigação científica e sucesso escolar dos alunos.

É com grande estranhar que se constata que segundo o Governo o investimento no Ensino Superior estava a aumentar, como é então possível esta notícia?

Será que o nosso Governo investe nas Universidades pouco produtivas e que não procuram investir na Investigação e deixa aquelas que melhores resultados têm a mercê do investimento privado e do auto-financiamento? Será isto uma pressão para a criação das ditas fundações?

Quem paga com isto são os estudantes que vêm os seus gastos cada vez mais aumentados.

Pior que investir mal, é não investir naquilo que poderá dar frutos, nome e mais investimentos (nomeadamente privados) para o país!
publicado por Luís Caldas às 11:46

18 de Fevereiro de 2008
Em primeiro lugar gostaria de dizer que é uma temática que acho bastante pertinente e que parece que merece uma grande reflexão. Vou fazer a minha que reflectirá sempre a minha opinião.

Para mim o fundamental é lutarmos todos para mudarmos o paradigma.

Há uns anos atrás, os alunos que se encontravam em ensino clínico eram pressionados quer pelos docentes, quer pelos enfermeiros dos serviços. Esta pressão em nada beneficiava a aquisição de conhecimentos práticos e a consolidação de conhecimentos teóricos.

Porém, a época do estudante ser passivo na aprendizagem e o docente deter todo o conhecimento já passou. Acho que é fundamental para uma aprendizagem de qualidade que se optimizem nos serviços que recebem alunos ambientes favoráveis à aprendizagem.

O facto do Hospital e Centro de Saúde serem desconhecidos para o aluno, já lhes causa ansiedade suficiente para que este possa desenvolver todos os conhecimentos teóricos. Qual de nós não sentiu o peso da responsabilidade durante o ensino clínico que esteve?

Como tal, a definição de Ensino Clínico surge-me como um momento de aprendizagem baseado com uma formula reflexiva, analítica e propicia a aquisição de conhecimentos. O Ensino Clínico pode até ser considerado como uma aula prática num contexto específico em que o docente tem o dever de fazer com que os alunos adquiram conhecimentos práticos e aliem a esses conhecimentos a componente teórica. Esse mesmo espírito deve na minha opinião ser encarado pelo enfermeiro do serviço que recebe o aluno, de uma forma activa, isto é, deve também ele ser veiculo de transmissão de conhecimento e facilitador da aprendizagem. Aliás, isto é, uma competência inerente a própria profissão de enfermagem.

Acho portanto, que independentemente de ser o professor ou o enfermeiro a orientar o ensino clínico, ambos devem assumir o seu papel e facilitar ao aluno a sua aprendizagem. Devem como tal, não ver os alunos como um diminuidor de trabalho, mas como um trabalho acrescido pela necessidade de apoiar o aluno na sua formação.

Gostei bastante da concepção posta aqui pelo colega que esteve na Escola de Viana.

O Estágio é na minha opinião um momento completamente diferente em que o aluno na sua fase final da aprendizagem põe em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Aí apenas se exige ao enfermeiro a tarefa da supervisão, visto estarmos perante um finalista que requer que o enfermeiro o acompanhe.

Em suma, acho que todos devemos contribuir para mudar aqueles que têm a concepção de que o aluno chega ao serviço independentemente do ano em que se encontra e tem de saber prestar todos os cuidados que a pessoa necessita. O aluno tem um objectivo definido no ensino clínico e se é da competência do enfermeiro orientar o aluno nesse ensino, este deve conhecer os objectivos que o aluno tem.

É nosso dever enquanto enfermeiros contribuir para a formação de futuros profissionais, como tal, também nós devemos formar com excelência.
publicado por Luís Caldas às 23:09

17 de Fevereiro de 2008
Fruto do desafio que o Colega Doutor Enfermeiro me lançou e também dos comentários lançados anteriormente neste blog vou denunciar e escrever algumas coisas acerca da formação de enfermagem, a que tive acesso durante a minha permanência no fenómeno Associativo Estudantil em enfermagem.

A qualidade na formação da saúde além de ser uma responsabilidade de qualquer instituição de ensino é também essencial para que os futuros profissionais de saúde adquiram competências que lhe permitam prestar cuidados de qualidade à população.

O Ensino de Enfermagem prima de acordo com a legislação por duas componentes de grande importância formativa. Uma componente teórica que visa garantir os conhecimentos teóricos e conceptuais e uma componente prática que garante o ensino e aplicação prática dos conhecimentos teóricos fornecidos na prática clínica.

Se a componente teórica depende em grande parte dos docentes, do material de suporte, e do investimento dos estudantes, já a componente prática depende em grande parte das experiências que os alunos passam ao longo do ensino clínico.

A leccionação de aulas poderá ocorrer em espaço precários e isso terá obviamente consequências para a qualidade de aprendizagem. Já quando se fala do contexto clínico a falta de condições tem outra consequência, ainda mais severa, a aprendizagem não acontece.

Há alguns anos atrás, através de vários estudos constatou-se que existiam carências de enfermeiros e consequentemente de cuidados de enfermagem nos serviços. Decidiu-se então aumentar o número de vagas. O ensino de enfermagem até então era visto como tendo grande qualidade de formação, fruto da vastidão de experiências que os alunos tinham no decorrer do ensino clínico.

Aumentaram-se as vagas nas escolas. A primeira dúvida que me suscita é se terá havido também um aumento de material escolar de suporte para o acrescimento de alunos. A resposta é que nalguns casos isso não aconteceu. Logo aí, começa a surgir um risco formativo.

Criaram-se escolas novas, todas privadas, que foram atrás do lucro que o ensino de enfermagem lhes poderia dar. Vagas imensas, determinadas a belo prazer pelo Ministério do Ensino Superior e sem uma articulação concreta com o Ministério da Saúde que permitisse que o aumento de vagas, fosse sustentado com locais de ensino clínico de qualidade e que permitam aos alunos terem experiências.

Essa desarticulação tem consequências. Neste momento, as escolas travam uma guerra para obter locais de ensino clínico, não se preocupando por vezes com qualidade, mais com ter lugares suficientes para os seus estudantes. Acontece que aquelas que não conseguem pagar às instituições hospitalares ou que planeiam tardiamente os seus ensinos clínicos e quando o fazem já estão completamente cheios, encaminham os seus alunos para locais onde não existem enfermeiros a trabalhar, ou então existem em número reduzido, e onde os cuidados prestados não são condizentes com as competências a adquirir por um enfermeiro de nível 1 e que como tal, provam existir lacunas na formação.

Tal como o colega Doutor Enfermeiro tenho conhecimento de escolas que por falta de locais de prática clínica, metem os seus alunos em ensinos clínicos em laboratórios escolares simulando hospitais, mandam alunos para creches e lares de 3ª idade, não potenciando a aprendizagem nestes locais, pois por falta de docentes, não acompanham os alunos presencialmente e não fornecem aos alunos a potenciação das experiências. Há ainda locais que fruto da evolução técnica as oportunidades técnicas são diminutas para o número de alunos presentes. Cada vez mais, surgem alunos no 4º ano sem terem realizado procedimentos considerados como essenciais. Sei, que estes procedimentos não são os únicos responsáveis por cuidados de qualidade, aliás, a bagagem de conhecimentos teóricos e conceptuais dos estudantes de algumas escolas permite-lhes disfarçar algumas dessas lacunas, contudo está em causa a qualidade.

Parece-me que em enfermagem a quantidade, fez notoriamente baixar a qualidade e isso reflecte-se nos cuidados prestados, as escolas necessitam de rapidamente repensar os seus processos formativos, e as autoridades de avaliação têm de efectivamente tomar estes aspectos em conta e forçar a diminuição do número de vagas, para que se volte a formar em qualidade.

Estamos perante um caso em que quantidade não é sinónimo de qualidade.

Denunciarei qualquer situação que saiba de formação sem qualidade, apelo a todos os colegas que o façam também e também aos alunos dessas escolas e ex-alunos que denunciem esses atentados formativos, pois está em causa a saúde da população.




publicado por Luís Caldas às 17:06

20 de Dezembro de 2007
Há uns tempos atrás ninguém me veria dizer as coisas que aqui vou dizer hoje, mas tendo em conta a avaliação que tenho feito dos últimos anos da situação laboral permiti-me fazer esta análise ao Ensino em Portugal. Não vou falar em sucesso ou insucesso escolar. Não vou falar se os professores são ou não capazes. Não vou falar se deve-se obrigar a andar na escola ou não.

Vamos falar da adequação do Ensino ao mercado de trabalho.

Começo por falar do Ensino Superior. O Ensino Superior nas suas duas vertentes está a muito tempo esgotado. São vários os cursos que se encontram desajustados da realidade das necessidades do país. Exemplo disso, são os numerosos cursos que apenas têm como saída profissional o ensino e que há alguns anos que os seus profissionais se encontram em situações de desemprego.

Deixo aqui a primeira questão: Valerá a pena continuar a investir na qualificação para apenas se dizer que se detém um curso superior que para nada serve à posteriori?

O Ensino Secundário está viciado e é competitivo, os alunos que lá se encontram, muito dificilmente se preocupam em aprender. Estão mais a ser preparados para um exame final que lhes vai, socialmente definir como sendo detentores de sucesso estudantil ou vitimas de fracasso, isto é, vivem durante 3 anos para preparar a entrada no ensino superior. A que custo? Na minha opinião, o preço que se paga por esta luta sobrehumana que existe é de tal forma prejudicial ao ensino que faz com que muito pouco aprendam os estudantes do ensino secundário e que lhes retira totalmente conhecimentos de cidadania, democracia, iniciativa e liberdade de escolha.

Segunda questão: Não será o ensino secundário apenas um local de passagem que pouco contribui para a formação da pessoa, caso não opte por entrar no ensino superior ou o curso que enveredou não seja de uma componente técnica.

Por último, vou falar do Ensino Técnico, parece-me ser uma boa aposta para aquelas pessoas que se encontram no final do ensino básico ou ensino secundário. Este ensino parece-me ir de encontro a algumas das necessidades do país. Contudo não se pense que é perfeito. Abundam também neste, cursos que estão desajustados e que se fazem com base em fundos sociais europeus, agora chamado de QREN.

Última questão: Que aposta deve Portugal ter em termos de ensino para que se forme adequadamente?

A esta vou responder com a minha opinião. Portugal, precisa urgentemente de pensar as suas estruturas de ensino. É importante apostar numa formação em várias vertentes e que permita a qualificação técnica e cientifica dos portugueses. É importante reformular os vários cursos, que não têm saída profissional, não acabando com eles, mas diminuindo o seu acesso para que aqueles que optem por essa vertente possam ser substitutos naturais dos processos de envelhecimento e reforma da população. É importante apostar na qualificação técnica e na qualificação dos quadros das pessoas que já se encontram no mercado de trabalho. Não apenas com a atribuição de títulos académicos ou graus de escolaridade, mas com formação apoiada e concertada com as empresas para que se adeque as necessidades destas. Por último, é fundamental criar na população um espírito positivista de consciência cívica e de intervenção para que os portugueses consigam deixar de pensar em si como sendo os coitadinhos, mas que invistam para a formação do seu próprio emprego e que criem nichos económicos que sejam pequenas empresas e que possam também elas ser motores da mudança em Portugal. Urge que os nossos empresários tenham conhecimentos não só na sua área de investimento, mas em várias e com um bom suporte formativo em gestão e economia. Só assim, poderemos aproveitar o QREN para que seja a verdadeira rampa de lançamento para que Portugal aproveitando os fundos europeus cresça e se coloque na vanguarda da Europa e deixe finalmente a retaguarda.
publicado por Luís Caldas às 14:17

18 de Novembro de 2007
Dedico esta pequena reflexão aos jovens que ainda lutam para que a resposta a esta pergunta não seja afirmativa.

Longe vai o 25 de Abril, que teve numa das suas bases de criação, o movimento estudantil que não se confromava com as políticas da Ditadura e que fez de tudo para conquistar a liberdade. As manifestações de 1961 ditaram muitos presos, porém, os estudantes marcaram uma posição bem clara. Não concordavam, não aceitavam, não podiam tolerar as políticas levadas a cabo pelo governo.

Os estudantes, principalmente os do Ensino Superior, primaram no pós-ditadura pela constituição de movimentos organizados que permitem debater, intervir e reivindicar. As Associações de Estudantes foram crescendo, ganharam peso e poder social. Eram ouvidas. Com isso, foram conquistando destaque no governo das instituições do Ensino Superior. Estando presentes em todos os órgãos de governo das Universidades e Politécnicos.

Contudo, os filhos da democracia foram crescendo, e a irreverência estudantil foi diminuindo. Verifica-se nos últimos anos, uma diminuição cada vez mais da participação estudantil. Exemplo disso é a Universidade do Minho. Longe vão os tempos onde havia três listas para a Associação Académica, num universo de 17000 estudantes, votam cerca de 3000. De eleições duras e renhidas, atingimos este ano o menos lógico. Em 17000 estudantes, apenas cerca de 40 se mostram dispostos a tomar as rédeas de uma das maiores Associações de Estudantes do País, sim porque ao que parece, apenas 3 listas se apresentaram a estas eleições, interessante ou não é número de órgãos a eleger (Direcção, Conselho Fiscal e Jurisdicional, Mesa da RGA).

O fundo parece estar a ser cavado, não pelas pessoas que estão nos órgãos de gestão das associações, mas pelos próprios estudantes. Cada vez, mais o extra-curricular é desvalorizado pelos estudantes. A pressão económica de atingir resultados, faz com que se perca a vontade associativa, a vontade de conhecer o que está para além do curso.

Que alternativas? Que caminho devem os estudantes tomar? O do conformismo? O de deixar andar e penar?

Aos jovens pede-se que sejam próprios da sua idade, isto é, irreverentes, interventivos e participativos. Não se lhes pede que apenas alimentem o seu espírito nocturno e sua folia académica.

Dos jovens espera-se que não se conformem com o que não concordam. Que intervenham, que lutem, que opinem. Não se espera que fiquem calados.

O País precisa de Associações fortes, que lutem, que disponham um pouco da sua vida pessoal para construir um país melhor, um país sem autocracia, em que quem não concorda, não se conforma, mas MANIFESTA-SE!

Estudantes lutem pelo que vale a pena lutar e nunca se conformem. Façam o vosso próprio 25 de Abril. Portugal agradecerá...
publicado por Luís Caldas às 16:03

11 de Novembro de 2007
Algumas coisas engraçadas se encontram na internet com um pouco de pesquisa. Em conversa com o amigo DoutorEnfermeiro acerca de um dos seus últimos posts, encontramos algumas coisas curiosas em diversos planos de estudos de cursos de Enfermagem (será que merecem Enfermagem com maiuscula?).

Vale a pena consultarem os Planos de Estudo... originais!

Mais uma vez, obrigado ao DoutorEnfermeiro pela defesa da Enfermagem de Qualidade.
publicado por Luís Caldas às 23:59

13 de Fevereiro de 2007
Iniciou-se este ano lectivo de 2006/07 a implementação do Processo de Bolonha em Portugal. Porém, a grande questão que salta a vista na primeira observação, é se estamos mesmo perante o que é preconizado com o Processo de Bolonha ou estamos a ver uma tentativa mais ao menos de mudar alguma coisa.

Não se verifica nenhuma mudança, em Portugal por questões políticas não se chama ao primeiro ciclo de formação inicial Bacharelato mas sim Licenciatura. É fácil enganar o povo dizendo que as competências de primeiro ciclo serão iguais às fornecidas pelas anteriores licenciaturas.

Ainda mais preocupante que esta "pseudo-bolonhização" é o subfinanciamento do Ensino Superior. É verdade que se gasta muito e mal nas Universidades, porém os cortes não podem ser feitos de uma forma aleatória e principalmente naqueles que melhor gerem...

É importante reorganizar o Ensino Superior, adequa-lo às verdadeiras necessidades do País, porque não podemos ter mão de obra qualificada no desemprego. Aí sim, o Ensino Superior não se torna um investimento, mas sim uma despesa.

Ideias precisam-se...
publicado por Luís Caldas às 17:42

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