16 de Novembro de 2007
Esta pretende ser uma reflexão completamente isenta, mas como visão crítica daquilo que é a cultura em Braga.

Braga cresceu indubitavelmente nos últimos anos em termos de cultura. Porém, podemos questionar se terá sido este crescimento cultural adequado às necessidades da cidade. Não me parece que a resposta possa ser afirmativa, senão vejamos: o Teatro Circo demorou quase 10 anos a ser construído, durante esse tempo, Braga apenas possuía a pequena sala existe no Parque de Exposições.

Neste momento dispomos de uma sala de espectáculos de âmbito nacional. Reconhecida Nacional e Internacionalmente. Dispõe de um cartaz apelativo e destinado a vários gostos. Não apoio aqueles que dizem que não está ao serviço de todos e muito menos a carteira de todos. Parece-me que isto reveste-se de todo o panorama nacional e o preço dos espectáculos está a esse nível. Contudo nem tudo é bom no Teatro Circo. Saliento claro, a inflexibilidade para negociar com os Grupos Culturais da Universidade do Minho. Também eles grandes dinamizadores da Cultura Bracarense. Espera-se rapidamente que esta política mude de modo a que as Tunas possam voltar a abrilhantar o Centro da Cidade tornando os Festivais de Tunas não meros espectáculos de sala. Mas toda uma envolvencia que poderia dinamizar a cidade.

Feita a avaliação daquele que é o "cabeça de Cartaz Cultural" da Cidade de Braga, passamos agora a avaliar aquele que nos últimos três anos pegou as rédeas da cultura bracarense. Refiro-me claramente ao Estaleiro Velha-a-Branca. Este estaleiro apesar de um espaço reduzido, consegue ter uma panóplia de actividades culturais de fazer inveja. Está certamente na vanguarda e pedia-se mais, muitas mais Velhas-à-Branca.

Fiquei na dúvida sobre qual vertente cultural falaria em seguida. Mas vou falar daquele que acho que é dos mais subaproveitados em Braga. Falo do Mercado Cultural do Carandá. Encerrou-se à alguns anos o mercado do Carandá que se encontrava degradado. Procedeu-se a sua requalificação. Diga-se muito bem feita, mas falta algo. Aquele mercado pouco apelativo é. E ou se deve a falta de aptidão dos bracarenses para este espaço ou então a falta de um verdadeiro chamariz para aquela zona da cidade. A verdade é que se enquadra numa zona, próximo de uma Discoteca emblemática da cidade (que falarei mais a frente) e de uma escola de 2º e 3º ciclo de ensino. De resto é rodeada por um Centro de Saúde e urbanização e mais urbanização. Falta apostar, na total requalificação do resto do mercado do Carandá. Para que este espaço se possa tornar um verdadeiro espaço cultural atractivo para a população Portuguesa.

Outro espaço que quero também destacar é o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian. Tem uma formação e investe bastante na formação cultural dos jovens. Parece-me é que esta escola está um pouco fechada em torno de si mesma. Penso que uma maior abertura poderia potenciar a cidade e a instituição.

Poderia terminar referindo aos museus da cidade. Desses tenho a afirmar que é necessário uma maior divulgação. Penso que a falta de uma linha de divulgação, reduz um pouco a potencialidade destes.

Também num aspecto cultural que por vezes é esquecido pelos analistas e a que me vou reportar é a actividade cultural nocturna bracarense. Reduz-se a muito poucos espaços agradáveis, e a outros que por vezes não se encontram nada de acordo com as normas nacionais. Urge reabilitar também esta área para que os bracarenses não se desloquem para outros pólos culturais de outras cidades, mas que também Braga seja atractiva para jovens de fora. Lufada de ar fresco, é o recem criado Teatro Café, que através dos seus concertos de Jazz, poderá ser mais uma alternativa impulsionadora da cidade.

Mas o verdadeiro destaque, para mim, é sem dúvida a Universidade do Minho, não só pelos seus funcionários, quer pelos seus estudantes. Os Grupos Culturais, as duas Bibliotecas, o Museu Nogueira da Silva são alguns dos exemplos que a Universidade fornece à cidade. Porém, nem sempre se vê uma grande ligação entre esta e os cidadãos bracarenses.

Em suma, Braga precisa de mais e de uma maior qualidade cultural, condicente com o seu estatuto de terceira maior cidade do país. É necessário criar uma ligação concertada entre a CMB e as entidades em seu redor de forma a atrair a Braga, um pólo cultural que poderá ser também ele impulsionador da nova cultura. Exemplo, é a instalação da FNAC em Braga. Não falei dela, pois abriu hoje e como tal, teremos de esperar para ver qual será o impacto desta na vida dos bracarenses. Espero que não seja esta uma desculpa, para que outras actividades já instaladas que deixem de se realizar.
publicado por Luís Caldas às 15:14

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