10 de Junho de 2008
O Colega Magistral Estratega no Fórum Enfermagem lançou a debate a questão do que seria mais importante, se prestar cuidados ou o registo dos cuidados prestados? Posteriormente lançou a seguinte questão: "Prestar cuidados a mais utentes ou melhores cuidados a menos utentes?"

Elaborei uma resposta que penso que se adequa no conjunto de textos que tenho elaborado sobre a importância do enfermeiro. Não tão virada para a importância para o exterior deste, mas pela importância que a discussão destas questões tem na: continuidade de cuidados, documentação da informação, prestação de cuidados, gestão de recursos. Espero os comentários a mais este novo documento.


Falar nestas questões, na minha opinião é debater enfermagem. É pensar o que é a enfermagem e como devem ser as nossas práticas quando afastadas das condições ideais para a sua realização. Assim sendo, acho que não é possível responder a nenhuma destas questões em separado.

Falar em prestar cuidados pressupõe sempre, falar em planeamento de cuidados e processo de enfermagem. Sem fazermos uma avaliação inicial da condição do utente não estamos a executar cuidados, mas a limitar-mo-nos a fazer tarefas. Assim sendo, a forma de pensar e planear os cuidados tem de assentar sempre no processo de enfermagem. Isto é, avaliar inicialmente a condição do utente, identificar problemas potenciais, problemas existentes e factores de risco (Juízo Diagnóstico), planear (com ele ou para ele) acções que visem evitar os problemas potenciais e resolver os previamente instalados, executar estes cuidados e fazer uma avaliação dos resultados obtidos com as nossas acções.

Até aqui não dei novidade nenhuma, aliás todo esta opinião não o dará, apenas juntará um conjunto de informações da temática.

Na lógica de que temos tempo para fazer isto tudo no papel, e tal como se ensina (nas boas escolas de enfermagem), os alunos planeiam por escrito estas acções. Os enfermeiros com o decorrer da prática devem fazê-lo mentalmente. Esbarramos então no primeiro grande recurso que não está em condições de qualidade: O tempo. Na actualidade este recurso é aquele que mais constrangimentos cria para a prática da enfermagem. Deste modo e como este recurso é finito temos de ter em conta na elaboração do plano de cuidados (plano de trabalho para um turno com vários doentes atribuídos) este factor. Isto é, torna-se imperativo definir prioridades de acção e definir aquelas intervenções, sem as quais a vida poderá estar potencialmente ameaçada e seguindo uma linha até às acções que visam promover a autonomia do utente e o sem bem-estar.

Por esta lógica toda exposta, apenas estamos a falar de prestar cuidados que devem ser face a escassez de tempo o principal alvo do nosso trabalho. Contudo, será possível não registar o que realizamos? Será possível chegar a cada turno e ter de repensar o processo todo da estaca zero?

A ausência de registo acerca de um plano de cuidados obriga a que o enfermeiro do turno a seguir faça novamente uma avaliação inicial do utente, elabore diagnósticos, torne a planear intervenções, ponha-as em prática e volte a avaliar. Porque não pode haver continuidade de cuidados se a informação da intervenção de enfermagem é apenas passada oralmente. Ou seja, entramos num contraditório, se o tempo é escasso e prestar cuidados é a área mais importante, como referi anteriormente, não estamos com a ausência de registos documentais do trabalho anterior, a voltar atrás no processo de avaliação e consequentemente a gastar mais um recurso que já referi anteriormente como escasso?

Não vou sequer falar da importância das entidades gestoras conhecerem o nosso trabalho, porque então aí os registos de enfermagem têm um papel essencial.

A questão que se colocará é que tipo de registos documentar? De que forma são estes realizados? Permitem e possibilitam a continuidade de cuidados? Ou são este apenas uma obrigação legal?

Os estudos desenvolvidos na área dos Sistemas de Informação em Enfermagem (SIE), demonstram que a informatização da saúde e o envolvimento dos enfermeiros na melhoria destes SIE permite não só gerir melhor o recurso escasso tempo, como também potencia uma melhoria da continuidade de cuidados e consequentemente uma melhoria na qualidade dos cuidados prestados.

Contudo, isto não é nada fácil, e parece-me que qualquer resposta que o colega magistral enunciou não tem uma resposta de sim ou não, parece-me que apenas um ponto de equilíbrio, não me lembro quem foi o teórico que disse que o mundo vive de equilíbrios e cada vez mais acredito nisto. Agora este equilibrio não é estático, mas sim dinâmico e o que num serviço poderá ser prestar mais cuidados e registar menos por estar em causa a vida do utente, noutros serviços poderá registar-se tudo o que se presta e com isso prestar menos cuidados, de modo, a sensibilizar os gestores para a problemática da falta de recursos.

A última questão que enuncias, é quase que um dilema ético, contudo, não consigo conceber cuidados de enfermagem sem qualidade, como tal, penso que não podemos falar de melhores cuidados, mas sim de mais ou menos cuidados. Assim, defendo que deve haver uma junção de todos os planos de cuidados dos doentes atribuídos e com isto definir prioridades e implementar as acções previstas de acordo com as necessidades dos utentes, do mais emergente para o menos urgente. A qualidade (palavra que atribuo significado quando ouço a palavra melhor) não pode nunca estar em causa.
publicado por Luís Caldas às 09:12

MD:
no meu estágio noto plenamente a falta de tempo que os enfermeiros dispõem, dou um exemplo que o serviço tenha 20 camas, as pessoas podem pensar que o numero de enfermeiros chega, o pior é quando 90% das camas está ocupada por doentes acamados e desses uma parte em fase terminal...mas para colmatar essa falha existe a classificação (que ainda não percebi muito bem como funciona, mas pelo que me aprecebi, serve também para que a direcção veja o tipo de utentes que param no serviço) mas se a direcção não está atenta a estes factos e limita-se a dizer que não contratará mais enfermeiros como é possivel haver qualidade nos serviços prestados?

ora definir prioridades é a palavra de ordem a começar pela dita classificação, pois se não há tempo para os utentes deixa-se de fazer a classificação que demora bastante tempo , e eu concordo plenamente com isto...

o mal é a união que falta na classe, e isso parece ser irremediável
14 de Junho de 2008 às 10:57

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