08 de Novembro de 2007
Transcrevo o Texto que a Senhora Enfermeira Margarida de Barros enviou para o Diário do Minho e intítulou de Carta aberta às(aos) enfermeiras(os).

"Colegas Enfermeiras(os), chegou o momento da nossa intervenção e luta pela defesa do nosso presente e do nosso futuro. Isto é um apelo a todos os Enfermeiros deste País para que não continuem apáticos, sem opinião, sem motivação. Se estás acomodado ou acomodada na tua vidinha profissional... desacomoda-te porque estás a perder. Por quanto tempo mais pensais que o que foi conquistado desde 1976, se vai manter? Que transformações se poderão avizinhar e que nos afectarão? Acordem...

Custa-me perceber o pouco caso que os Enfermeiros instalados fazem dos problemas da classe: se estou bem... deixem-me estar; se estou mal... nunca pior... não estou para me ralar... até quando? Custa-me constatar que as greves não têm a adesão esperada, porque os Enfermeiros ou têm medo ou receiam o peso no ordenado cada vez mais minguante; custa-me ver a indiferença com que encaramos as perdas, os retrocessos da profissão de Enfermagem.

Custa-me admitir a indiferença dos sucessivos Governos perante uma classe, que é um dos motores reais do sucesso do Sistema Nacional de Saúde, mas que por eles não é considerada importante no que se refere às mudanças e à evolução da Saúde em Portugal.

Custa-me ver a invisibilidade da Enfermagem a que os órgãos de comunicação nos votam; custa-me a ver que, num momento grave e de crise da classe, os órgãos de comunicação social não tratam a nossa ordem profissional como as ordens que existem noutros sectores.

Custa-me saber da degladiação entre os Sindicatos de Enfermagem, que deveriam lutar realmente por nós; custa-me verificar que as negociações Sindicatos/Governo por uma carreira dignificante, por uma tabela retributiva digna, por contratações laborais honrosas, ficam em águas de bacalhau, paradas, esquecidas.

Custa-me ver os jovens Enfermeiros a mendigarem um lugar ao sol e a sujeitarem-se a condições de trabalho e contratuais degradantes; custa-me ver o capital humano e científico dos jovens Enfermeiros ser renegado neste País; custa-me verificar que a Ordem dos Enfermeiros, criada para realmente dignificar a classe dos Enfermeiros, ainda se não pronunciou publicamente sobre esta espécie de vergonha nacional a que os profissionais de Enfermagem estão a ser submetidos.

Os Enfermeiros deste País têm alto potencial: têm conhecimento técnico-científico, capacidade elevada de investigação, produzem conhecimento científico, produzem trabalho de qualidade e são o garante das boas práticas e da humanização da prestação de cuidados... e não são reconhecidos como forte elemento do Sistema Nacional de Saúde!

É a hora de a Ordem dos Enfermeiros e dos Sindicatos de Enfermagem darem as mãos em prol da classe; queremos uma Ordem de Enfermeiros viva, actuante, atenta e vigilante; queremos sindicatos em uníssono, dinâmicos, intervenientes e unidos por nós; mas para isso, temos nós próprios que estar vivos, actuantes, atentos, vigilantes... só com a acção conjunta de todos é que os Sindicatos unidos terão a força de que precisam, para negociarem com o Estado os interesses e direitos dos Enfermeiros. Só com a acção conjunta de todos, é que a Ordem dos Enfermeiros será a nossa Ordem e não apenas a de alguns.

Dia 13 de Dezembro vai haver eleições para a OE... Não adormeçam colegas! Actuem! Não podemos continuar a ser o parente pobre do Sistema de Saúde, quando somos imprescindíveis a esse sistema...

Acordem Enfermeiros(as); lutem por vós e pelos que hão-de vir; não deixem que nos hipotequem o presente e o futuro da profissão; não continuem invisíveis..."

in Diário do Minho 8/11/2007
publicado por Luís Caldas às 14:04

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