23 de Janeiro de 2008
Os últimos dias não têm sido muito bons, no que concerne a notícias sobre a saúde. Porém, estas situações existem à muito tempo e apenas não eram é divulgadas.

De salutar o papel que a Ordem dos Enfermeiros e Sindicatos de Enfermeiros têm feito na denuncia de situações de saúde que em nada beneficiam o SNS e que em nada ajudam a população. É importante que a OE e Sindicatos continuem a intervir, bem como os enfermeiros por este país a fora denunciado casos de situações de insegurança de cuidados de saúde.

Afinal é também para isto que a OE foi criada, para intervir e denunciar fracas condições de saúde.

De salutar as declarações do Ministro da Saúde que afirma ser necessário não formar enfermeiros em número excessivo.

A lutar também ganhamos... Só é preciso é que não sejamos apenas um pequeno grupo mas sim um todo, e que esse todo seja cada vez mais forte.
publicado por Luís Caldas às 20:00

Salutar...:
De Salutar as declarações do Ministro?
bem eu não concordo pois quem entra para enfermagem neste momento sabe como vai a "vida de enfermeiro", dou o meu exemplo pessoal, se era a profissão que eu queria, mesmo sabendo das dificuldades e mais que avisado que "isto tá mau" decidi ir para enfermagem,sria justo alguem negar-me esse direito???
Posso muito bem formar-me para querer exercer profissão no estrangeiro, e negar-me esse direito era muito mau...aplaudir os "numeros clausos" elevados? não nem pensar, chegará o dia em que como perguntam pelos médicos o povo dirá não temos enfermeiros!!!...até porque não estamos tão mal pois li (a conselho seu) que ao fim de 6 meses 50% dos recem licenciados está empregado ou sej ao fim de 12 meses o numero rondará os 90% talvez mais...por ixo quando diz de salutar o ministro...muito sinceramente discordo
29 de Janeiro de 2008 às 11:40

Em primeiro lugar deixa-me agradecer o seu comentário que lança questões muito pertinentes e que com todo o gosto debaterei consigo.

Considere-se prestigiado por deter conhecimentos acerca da empregabilidade em enfermagem. Conheço alunos do 1ºano e são vários, e acredite quando lhe digo que nenhum deles tinha verdadeira noção do futuro enquanto enfermeiro e o emprego que teria.

As afirmações do ministro e são aí que são interessantes e permita-me que as explore. Não queremos formar em exagero, porém, não podemos parar a formação. Formação essa que deve assentar num pilar basilar: a Qualidade.

Para que esta exista é necessário que ao longo da licenciatura existam diversas oportunidades e momentos de aprendizagem que garantam ao futuro enfermeiro adquirir competências e conhecimentos que lhe permitam exercer a profissão com autonomia, responsabilidade e intervenção.

Se pesquisar pela Blogosfera e aconselho-o a procurar em http://doutorenfermeiro.blogspot.com encontrará que algumas das escolas de enfermagem deste país não se encontram a formar com qualidade. Atenção não quero com isto por em causa a formação da escola A ou B, apenas falo das que conheço e não torno essas afirmações públicas por não ser total conhecedor de todas as circunstâncias.

Porém, fui dirigente estudantil e durante anos convivi com colegas de outras escolas e fomos tomando conhecimento de casos no mínimo insólitos.

Terá de concordar comigo, quando digo que para haver formação de futuros enfermeiros de qualidade terá de haver locais de ensino em contexto clínico de qualidade, isto é, que forneçam ao estudante um leque alargado de oportunidades para potenciar os seus conhecimentos teóricos. Certo?

Assim sendo, os numerus clausus que referiu nunca poderão ser abertos sem critério e assumo a afirmação seguinte, muito menos suportam a formação que neste momento existe. Isto é, os 14000 estudantes de Enfermagem não detém, todos, boas oportunidades e bons campos de aprendizagem.

Claro que esta questão poderá levar o problema para o lado da vontade da pessoa em escolher o curso (apesar de aí o debate se voltar para o Ensino Superior), contudo penso que quando recorre ao serviço de saúde pretende que lhe seja prestado o melhor cuidado possível. Assim, o exijo eu enquanto cidadão contribuinte que sou. Falar de numerus clausus na saúde é problemático, não por questões de empregabilidade, mas por questões de qualidade de formação. Formar um enfermeiro não é apenas enfiar-lhe um conjuntos de conhecimentos pela cabeça abaixo e obriga-lo a estudar formas de intervir para actuar perante a situação. Baseado no Doutor Abel Paiva Silva, se queremos formar pessoas que reajam com linhas de acção e não reflictam e revejam as suas práticas e ajudem o doente a encontrar os seus mecanismos adaptativos, então, nós enfermeiros não temos razão de existir.

Por último, congratulo-o pela escolha de enfermagem, apesar dos seus problemas (como qualquer outra ciência), esta tem conquistado o seu espaço e o seu futuro poderá ser cada vez mais risonho, basta que para isso, alunos, enfermeiros e professores de enfermagem remem para o mesmo lado, deixando de lado os interesses pessoais e corporativistas.

Fez mais duas afirmações que não posso concordar. A primeira é que apesar de saber que num mercado global, a livre circulação de bens e pessoas é um garante. Não me parece que a formação de pessoas no ensino superior público deva servir como alimentador da emigração, por dois motivos: o primeiro é o investimento que o estado faz num cidadão, que paga apenas os custos mínimos (apesar de considerar que cada vez, de mínimos se passa para um exagero) com a sua formação deva servir para fornecer outro país. Exemplo disso é os EUA que com falta de enfermeiros no seu país, financiam escolas de enfermagem no México no estrangeiro para servir de importador de trabalho. Não concordaria que o Estado Mexicano financiasse tais cursos. Pois estaria a não gerir bem os seus recursos. Em segundo porque defendo (pode procurar um post que fiz sobre ensino) que a formação pública de um país deve-se adequar a sua necessidade. Se precisamos de X engenheiros civis, não devemos formar 2X. Para isso existe o sector privado. Se me falar que o acesso ao ensino superior não é justo, terei todo o gosto em debater esse assunto consigo, mas não neste tópico.

Termino, para mim um enfermeiro no desemprego é mau, 3500 é um escândalo. Sim, o número que cito é dado pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Tendo em conta que se formam enfermeiros a taxa de 3000-4000 por ano, e que as admissões nas entidades SPA estão fechadas até 2009. Onde irá colocar essas 6000 pessoas? Se calhar era altura de as escolas em vez de criticarem o Modelo de Desenvolvimento Profissional, por não garantir Internato a todos, mas preocuparem-se com os jovens que todos os anos têm vindo a lançar para o desemprego fruto de um mercado de oportunidades que surgiu.

Reconheço que existe carência de enfermeiros no SNS e nas entidades privadas. Mas se a entidade empregadora não emprega, que vamos fazer a não ser lutar? Sujeitar a trabalhar de uma forma gratuita? Isso NUNCA. Pois apenas alimentará que enfermeiros sejam explorados todos os dias. Mais do que já são.

Sem desprestigio para as empregadas de limpeza, o seu trabalho não qualificado é pago muito mais caro que os cuidados de enfermagem prestados por um licenciado altamente qualificado em alguns locais do sector privado.

Quanto ao número rondar os 90%, tenho as minhas sérias dúvidas. Aliás, ajudei colegas de associações a fazerem esse estudo e digo que se voltar a ser feito as taxas de empregabilidade nos primeiros meses de trabalho irá cair a pique. Desejo-lhe que quando estiver a procura de emprego nunca veja resultados de concursos em que um dos critérios de seriação era a ordem alfabética visto serem tantos os candidatos a avaliar.

Desafio-o a contrariar estes argumentos.
29 de Janeiro de 2008 às 19:28

salutar...(A)rmando:
Fiquei admirado com a sua resposta ao meu comentário e aceitei o seu desafio em contrariar alguns dos seus argumentos, digo alguns porque como é lógico, não vou contrariar por exemplo o facto de referir que é preciso qualidade no ensino.

Assim vou começar pelos pontos que discorda de mim, acha que eu (cidadão português) não tenho direito a formar-me no meu país, para posteriormente trabalhar fora dele? Então não concorda com Erasmos? (não vamos deitar dinheiro ao lixo para formar os alunos dos outros! ok divaguei um pouco...) mas certamente que o estado tem todo o dever moral e social de comparticipar o meu ensino! Sou Português, os meus pais são portugueses onde é que me iria formar? Em Espanha? Na França? Eu ainda não desconto mas os meus pais descontam à mais de vinte anos (acho que já pagaram a minha formação). Quanto aos numerus clausus, bem a minha média foi de 15,acha que entrei? Não! É tramado teria de ir para um curso que não era o que eu queria, mas como neste pais nasceram as escolas privadas, não tive outro remédio senão pagar 390€ mensais durante 4 anos (ainda vou no 2º...acabei de me lembrar o estado não paga a minha formação, acho que já tenho direito a ir para o estrangeiro) para me realizar pessoalmente se não hoje era um frustrado numa qualquer engenharia.

E se o país precisa de X enfermeiros, deve no mínimo formar 1,5X enfermeiros só assim se assegurará um formar continuo de profissionais (não vá o diabo tece-las e uns quantos irem para o estrangeiro).

A certa altura diz no seu texto o seguinte "durante anos convivi com colegas de outras escolas e fomos tomando conhecimento de casos no mínimo insólitos" bem pergunto-lhe sem qualquer "pudor" acha que todos os profissionais que se formaram consigo, todos deram excelentes profissionais?
Dou-lhe um exemplo prático um enfermeiro, para administrar um medicamento via endovenosa num familiar meu, provocou-lhe três hematomas dois por ruptura das veias mais um derivado á má colocação do cateter venoso periférico, será que a culpa é da escola que formou o enfermeiro ou dele mesmo que não apostou mais na sua formação.
Claro que é preciso haver boas condições de ensino, bons "ensinos clínicos", mas grande responsabilidade da formação do estudante é dele mesmo, estudar, praticar, ou vamos estar á espera que sejam os professores a ensinarem-nos tudo? não pode ser, a escola é apenas um entre muitos meios para atingir a completa formação.
"Contudo penso que quando recorre ao serviço de saúde pretende que lhe seja prestado o melhor cuidado possível. Assim, o exijo eu enquanto cidadão contribuinte que sou. Falar de numerus clausus na saúde é problemático, não por questões de empregabilidade, mas por questões de qualidade de formação" não podia estar mais em desacordo consigo, nunca quis medicina, como disse sempre ambicionei ser enfermeiro, mas acha mesmo que eu não teria capacidade de ser um bom médico se assim o quisesse? e falar de numerus clausus na saúde não é problemático, é Tabu! porque as pessoas pensam, «aquele entrou com uma má média, bem espero nunca encontra-lo no centro de saúde», estas mentalidades precisam ser modificadas.

Quanto ao desemprego
Os números que me transmitiu não são para mim novidade, tento estar sempre bem informado, de como vai enfermagem no pais, mas o governo (não especificamente este, mas todos, pois são todos iguais só mudam as cores) é que é o culpado, não por não restringir o acesso ao curso, mas sim por querer poupar nos ordenados não empregando mais enfermeiros no SNS.
Claro que nunca trabalharei gratuitamente, isso é a completa escravatura, só voluntariamente, (mas não me alongo mais neste tema que daria uma boa tarde de falatório).

Sinceramente não me preocupa uma empregada de limpeza ganhar tanto como um enfermeiro, sou adepto que nenhuma profissão é superior a outra, se um enfermeiro ganha 800€ que a empregada ganhe 800€ mas que o politico ganhe também 800€,...,ou seja um modelo justo de sociedade (mas estou ciente que nunca a teremos), claro que concordo que os enfermeiros deveriam ter um salário mais confortável mas quem é que é que não devia ter?

Quanto aos 90% também acho que não sejam reais:) foi e desculpe um jogo de números que criei:
6 Meses – 50%
12 Meses – 100%

Talvez por ter esta mentalidade de se não me "arranjar cá" há mais mundo lá fora, que sou tão optimista quanto ao meu futuro, talvez quando lá chegar (a ser enfermeiro) bata com o nariz muitas vezes mas até lá vou acreditando que sim...

Por fim
A ordem alfabética até é o menos, o pior de tudo são aqueles que tem familiares e amigos chamados CUNHA esses sim deveriam de ser a principal preocupação, pois quando a lista é por ordem alfabética muitas vezes aparecem uns Zés no meio dos Antónios e ninguém dá por nada!... (um pequeno á parte por este andar estou bem servido o meu nome começa por A:)

Bem futuro colega Luís Caldas não sei se respondi a tudo! O seu texto fala sobre muitos assuntos espero ter tocado em grande parte deles, mas se restar alguma dúvida tenho todo o gosto em tornar a responder aos seus desafios!

(obrigado pela sugestão do doutor enfermeiro...tem coisas interessantes das quais algumas tb não concordo:)
3 de Fevereiro de 2008 às 15:57

Olá Enf.º Luis Caldas, continue com os seus textos pertinentes e irreverentes. Gosto de passar por aqui, RS.
3 de Fevereiro de 2008 às 20:04

Ola,

So ha pouco tempo tive conhecimento deste e de outros blogs relacionados com enfermagem. Ainda bem q existem, assim posso informar-me mais sobre a minha futura profissao(espero eu...).

Eu nao deixo de concordar com quase tudo q foi escrito. Mas ha uma coisa q me faz confusao, que é o silencio da ordem dos enfermeiros, quase sempre em praticamente td q tem a ver com os enfermeiros a ordem se mantem inerte, ou necesariamente calada.Explico porque: Pode-se ver todas as outras ordens que todos os dias aparecem na comunicao social e a benefeciar quanto mais nao seja com essa exposiao. Tambem essas ordens tem um grande peso nos dirigentes politicos, coisa que eu nunca vi na ordem. Obviamente que ela faz e fara td pelos enfermeiros, mas digamos que nao o tem feito bem ou da melhor forma.
Todos os problemas q os enfermeiros t�m, como o vencimento (nunca mais a lei foi devogada); o pq de tantos profissionais e recem-licenciados no desemprego; condi�oes de trabalho nos diferentes locias, (Etc.)e outros mais e ainda os q desconheco...
Sempre se v� o q acontece quando a ordem dos medicos ou dos advogados defendem os seus direitos. Existe algo muito estranho, que se opoe ao crescimento, considera�ao, evolu�ao da enfermagem em Protugal (O qu�??).
Tem que haver lutas mais praticas,concisas, direccionadas, activas, participativas... que os interesses deixem de existir e lutar uma vez por todas pelos devidos direitos dos enfermeiros, e como disse unidos, e nao todos para alguns...

Toda a gente sabe q h� falta de enfermeiros, mas devido a redu�es de or�amento o nosso SNS, e nao s� caminha para facilitar o investimento privado... E � aqui q entra a competi�o de lugares, baixos vencimentos (procura maior q a oferta), entre outros...

Quanto ao que o Sr. Ministro disse:
Bem, n�o deixa de ter a sua raz�o, exitem demasiadas escolas de enfermagem no Pa�s, em que todos os anos sai um n� elevado de enfermeiros, e mais de 50% fica no desemprego. Algumas escolas que t�m condi�oes deficiente e insuficientes, e por essa razao poder�o a vir formar futuros enfermeiros com qualidade duvidosa.
Mas pergunto uma coisa, quando foi q estas escolas forma abertas? Em que contexto? Algumas destas escolas foram abertas em determinadas regioes do Pa�s,para mais tarde essas mesmas regioes terem trabalhadores qualificados.(???) A que moldes essa Escolas foram abertas??? Ser� que algumas nao abriram por segundos e terceiros interesses?? A Ordem juntamente com o governo n�o deixaram que isso acontecesse?? S� para ter uma no�o, na minha escola, cada ano � constituido por 130 alunos!!? Porque deixaram que isto acontecesse, provavelmente isto diminui a qualidade de ensino, ou n�o?? O Sr. Ministro que hoje contesta, outros que l� estiveram deixaram que isto acontecesse, juntamente com a Ordem. Obviamente que eu tamb�m quero qualidade no meu ensino, nos meus estagios... se algo esta mal nas escolas p�blicas e privadas, pois n�o � s�o s� as privadas que t�m falta de qualidade, que se resolva de uma vez por todas.

O ensino em Portugal est� mal desde o ensino basico, e era por a� o melhor come�o, e acabar com as novas reformas q se implementam todos os anos, apostemos num ensino a longo prazo e com pessoa habilitadas e qualificadas e assim termos melhores alunos e futuros profissionais. Andamos todos a sofrer com a redu�o de gastos, agora at� se fala em uma recessao economica... o pior ainda esta para chegar.

Outro exemplo, eu tenho 30 anos e sou estudante de enfermagem do 2�ano. Eu proprio pago os meus estudos, h� muitos anos q enfermagem � o meu sonho, resolvi tirar o curso mm sabendo que o q me espera � o desemprego, e mm assim eu optei por essa via, visto que outras estavam a desaparecer.

O facto de o estado pagar a educa�ao a muitos portugueses,(o meu ja pagou, mas agora nao) e depois ter q trabalhar para o Pa�s, essa � uma falsa questao. Se o estado nao d� as condi�oes (n�o h� trabalho) para eu come�ar a minha profissao o que irei fazer?? Obviamente que irei procurar noutro lugar essa oportunidade, e em Espanha, por exemplo, emprego n�o falta, pelo menos para j�. Outra coisa, n�o se esque�a que o nosso ensino est� inserido no Tratado de Bolonha, o que obriga � "circula�o" de estudantes por essa Europa fora, por isso mais probabilidades existem de os enfermeiros irem ttrabalhar para o estrangeiro. (ainda para mais com maternidades, servi�os de urgencia, saps, etc... a fechar).
(N�o se esque�a que Portugal tem uma longa hist�ria de emigra�o...)

Por ultimo:
- Hoje em dia n�o � tanto assim, mas por que ser� que foi necessario, enfermeiros espanhois, bem como medicos, para trabalhar no interior do Pa�s, ainda por cima com melhores regalias??
- Por que ser� que ainda existem enfermeiros com dois e tres empregos e outros sem um??? A Ordem nao deveria intervir?? Uni�o??? (Depende...)
- Infelizmente o que conta n�o � somente, e em primeiro lugar, ser um excelente profissional, com muita qualidade, mas sim quem tem a maior cunha... E se todos sabemos disso, tamb�m deviamos denunciar essas coisas, ou nao??

Eu sei que ainda tenho muito que aprender e conhecer sobre Enfermagem, e tenho esperan�a que todas as situa�oes que prejudicam a evolu�ao e a qualidade do trabalho e dos profissionais, mude...

Abra�o

P.S. Eu sei que no lugar dos nossos governantes, eu nao faria melhor (ou n�o). Mas estes todos anos de m�s politicas; de maus profissionais; da imagem geral que enfermagem continua a ter na sociedade; a defesa digna dos direitos dos enfermeiros como pessoas e profissionais... S� me lembro de dizer uma coisa: "Vozes de burro n�o chegam ao c�u..."
4 de Fevereiro de 2008 às 02:10

Peço desculpa, pela demora das respostas aos comentários. Mas amanhã prometo resposta a estes comentários e novo post.

A ver se a partir desta semana se começa a fazer postagens diárias.
12 de Fevereiro de 2008 às 00:04

Caro “Salutar (A)rmando” em primeiro lugar o Programa Sócrates/Erasmus existe de modo a poder proporcionar aos estudantes experiências e aprendizagens dentro dos países que aderiram ao projecto. Concordo com o projecto, porém penso nada ter a ver com a questão em debate.
Percebo o que queres explicar e compreendo que deve haver possibilidade de ir trabalhar para fora, cada vez mais isso tem de existir, fruto da União Europeia. Contudo, nem os países ricos, muito menos Portugal podem-se dar ao luxo de financiar toda a formação de toda a população, principalmente se em vez de um investimento, este se torna uma despesa. Concebo a Educação como um Direito dos Cidadãos, mas como qualquer Direito, acho que deve ter regras. Portugal, não tem capacidade económica para financiar formação fora das nossas necessidades. Aliás, discutirmos o financiamento da Educação dá pano para mangas e sobretudo, envolve coisas não lineares. Ideologias à parte, é necessário observar condições do país.

Acerca de números Clausus, afirmo o que disse anteriormente, defendo-os como necessidade de formação de qualidade. Contudo, não acho que a forma de acesso ao Ensino Superior seja a mais justa. Acrescento também que sou defensor do Ensino Privado, um Ensino Privado de qualidade, de formação de excelência, uma verdadeira alternativa competitiva ao Ensino Superior Público e não uma escapatória como a que referiu aqui.

Formar 1,5X quando faz falta 1X tem algo positivo, a competitividade, porém, eu enquanto observador social não consigo aceitar que se dê oportunidade formativa a uma pessoa para depois esta não poder exercer na sua área de formação. O falso argumento que existe no seu argumento da formação de enfermeiros é falacioso, pois apenas pressupõe que enfermeiros emigrem e não prevê o fluxo imigratório, que irá aumentar com a adesão dos países de leste à UE e que vai permitir que muitos emigrantes a residir em Portugal, possam exercer os cursos que obtiveram no seu País.

Não entendi a questão que me levanta, é óbvio que não são todos excelentes profissionais, eu próprio não o sou, procuro sê-lo e aprender em todos os momentos. A afirmação que tive acerca de colegas de outras escolas, também se aplica a minha, e tem por base o critério utilizado para a entrada no Curso, isto é, ser enfermeiro não se faz por se ter média alta, mas por algum tipo de aptidões que ou se tem ou não.

Bem o exemplo que dá é no mínimo dúbio e não comentável. Inserir um Cateter Venoso Periférico (CVP) não é tarefa que depende da aposta do enfermeiro na sua formação; este não vai andar a picar doentes, para investir na sua formação. Inserir CVP é algo que adquire com a experiência e se agiliza com a experiência. Pode contudo haver erros do enfermeiro, não vi, não sei se foi o caso. Mas digo-lhe que às vezes picamos doentes mais de cinco vezes num turno e mesmo assim provocamos hematomas e mais hematomas e não conseguimos, não é por má técnica, apenas pela dificuldade que a actividade tem. Mas até neste exemplo eu consigo acusar as escolas e a evolução científica (ainda bem que esta existe). Anteriormente um estudante de enfermagem tinha durante o seu curso milhentas oportunidades de inserir um CVP num doente, quer porque os CVP duravam menos tempo (criavam focos de infecção mais frequentemente), quer porque os estudantes antigamente num serviço de 24 doentes estavam 6 e tinha os doentes e as suas oportunidades de ensino a dividir por os 6, agora acontece que serviços com 24 doentes chegam a ter mais de 12 alunos e como tal, as oportunidades são menores. Não é isto falta de qualidade do ensino? Não é isto culpa da falta de locais de ensino clínico de qualidade e consequentemente, excesso formativo de estudantes?
Concordo plenamente consigo quando afirma que a escola é uma rampa de lançamento para o conhecimento. Mas, tem de concordar comigo que em termos técnicos a escola é a grande responsável pela formação, pois não é passível de prática fora do âmbito desta. Contudo, há outras áreas em que os estudantes de enfermagem e os enfermeiros podem investir, o processo reflexivo é algo que ainda tem de ser muito desenvolvido nos enfermeiros e que só se faz com a tal prática que refere e com a motivação pessoal.
Parece que tem um pré-conceito errado acerca de Numerus Clausus. Como poderia estar errado, fui pesquisar e encontrei esta definição na Wikipedia Numerus clausus ("closed number" in Latin) is one of many methods used to limit the number of students who may study at a university. It can be similar to a quota, both in form and motivation.
Eu concordo com os Numerus Clausus, mas não concordo com a forma de acesso à Universidade. Explique-me como faria se todos aqueles que quisessem ser enfermeiros numa determinada escola pudessem entrar nessa escola? Como iria essa escola conseguir coordenar e formar com qualidade 100 pessoas, quando as estruturas de saúde circudantes e que colaboram na formação dos estudantes apenas permitem formar 25 alunos com qualidade? Não seria isso também, não olhar aos direitos dos cidadãos?

Caro Colega Blogger do No Túnel:
Este post serviu exactamente para alertar para algo que tem vindo a ser alterado e que penso que com o esforço de todos poderá ser ainda mais alterado. Isto é, a visibilidade da Ordem dos Enfermeiros. Em primeiro lugar deixe que lhe diga que muitas vezes a OE reage a muitos assuntos, não tem é o destaque que a sua congénere dos médicos tem. Frutos de uma sociedade demasiado glorificadora da medicina. Deixe-me que discorde quando afirma que é a Ordem que se deve afirmar acerca de Vencimentos, esta é uma responsabilidade que cabe aos enfermeiros enquanto membros e parte de uma profissão e como tal, pertence a esfera dos sindicatos.
Respondendo as suas dúvidas acerca da abertura das escolas. Bem existiam várias escolas espalhadas pelo País. Uma por Distrito (no mínimo) de cariz público e algumas privadas (boa parte delas ligadas a Igreja). Havia falta de enfermeiros, e começou a pedir-se para se aumentar as vagas, coincidiu com o aumento das escolas privadas (no ensino superior). Estas viram na enfermagem um nicho de mercado e investiram. A culpa é óbvia dos vários ministérios do Ensino Superior que não trataram de observar as condições de qualidade dessas escolas. Há escolas que têm como cadeiras obrigatórios o estudo da língua alemã. Se formos a ver, esta não é obviamente uma necessidade que seja indispensável a todos os enfermeiros portugueses, quanto muito seria opcional. A Ordem apenas pode emitir parecer acerca do plano de estudos apresentado, algumas delas foram criadas mesmo, num período de criação da OE. O grande culpado é o estado que nem se articula entre si. Ministério da Saúde e do Ensino Superior não se adequam sequer entre si e mesmo as escolas que apregoam a falta de campos de ensino clínico, recusam-se a diminuir as vagas. Dizem que devem ser as outras a fazê-lo. Muita coisa vai mal na enfermagem, porém é necessário o trabalho de muitos para que as coisas se mudem para melhor.
12 de Fevereiro de 2008 às 22:42

(A)rmando:
Li atentamente tudo o que disse e queria mais uma vez agradecer a sua resposta e dizer-lhe que continuarei a vir aqui ao seu canto pois vejo que estou a ter a tal formação extra universidade, coisas que lá não debatemos, pois lá é assim é assim aqui ao menos posso dar a minha opinião e sei que alguem discordara de la ou não com bons argumentos mais uma vez obrigado!
12 de Fevereiro de 2008 às 23:54

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